quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A inexistência do amor

Mais uma vez, tentarei falar sobre o amor, para provar que ele não existe.

"O amor é o mal", diz o gênio.
Com essa frase, Arthur Schopenhauer mostra a que veio na obra "A arte de lidar com as mulheres".
Aqui, ele defende que o amor é simplesmente uma desculpa da natureza para que a espécie não entre em extinção. Segundo o autor, o que leva dois indivíduos a "se atraírem exclusivamente um pelo outro... é o desejo de vida que se manifesta em toda a espécie".
Ele avança na teoria explicando que é por esse motivo que os casais acabam brigando tanto e se odiando depois de terem cumprido com sua função; a manutenção da espécie. Em suma, depois que a perpetuação da espécie está garantida, o indivíduo percebe que aquilo não era amor, mas sim um impulso instintivo.
"Logo satisfeito o desejo da espécie, a ilusão (no caso, o amor) irá se desvanecer e deixará apenas um (a) companheiro (a) detestável."
O leitor já deve ter percebido que esse tal amor é o assunto preferido dos poetas, dos músicos, dos cineastas e dos artistas em geral. Ora, se o amor é, na verdade, uma imposição da natureza, quando falamos dele estamos tratando de algo transcendental, o que distancia os apaixonados dos assuntos terrenos. Dessa forma, podemos entender porque todos acham que o amor deixa emocionado, distancia da realidade, é emocionante, inumano. Evidentemente que não é, mas também não é poesia, sentimento, mas comprometimento do invidíduo com a natureza.
"O homem tem razão em lutar para econtrar um parceiro. O único erro é pensar que a felicidade tem a ver com isso", diz ele.

Portanto, o amor não existe.
Continuarei nesse tema, pois ainda não estou satisfeito com o resultado.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O desafio de ser o Lucas, não um "homem de 25 anos"

Como hoje estou completando 25 anos, resolvi relembrar o que algumas pessoas já tinham feito com essa idade.
Para começar com as maiores pessoas que o mundo já conheceu, o meu pai foi o candidato a prefeito mais novo do Brasil em 1982, além de ter fundado o Partido dos Trabalhadores em Cachoeira do Sul anos antes. Com essa idade, ele já era casado com a minha mãe, que, por sua vez, já tinha acabado a faculdade e contribuído com textos para a coletânea "Poetas do Vale" de Cachoeira do Sul.
Fico lembrando que quando os Casacavelettes se separaram, todos os integrantes tinham menos de 25 anos. Ou seja, eles fizeram aquela obras eternas com vinte aninhos, que incrível!
Paul, George, Ringo e John já tinham conquistado o coração do o mundo, Keith Richards e companhia já tinham gravado Satisfaction e Elvis já era o homem mais cobiçado pelas mulheres e o mais imitado pelos homens.
Com 25 anos, Charles Chaplin interpretou pela primeira vez o maior personagem da história do cinema, o"Little Fellow" ou "The tramp", o Carlitos, como ficou conhecido no Brasil.
Pelé já era o rei do futebol após encantar o planeta com seus gols na copa da Suécia e nos mundiais de clubes de 1962 e 1963.
Arthur Schopenhauer fez sua dissertação de doutorado aos 25 anos, com argumentos já avançadíssimos sobre sua pricipal teoria; a de vontade e representação.
Bob Dylan já tinha grravado cinco discos de estúdio, estava preparando seu primeiro ao vivo e até já tinha sido chamado de "Judas" pelos puritanos do folk por ter usado guitarra elétrica.
Roberto Marinho tornou-se editor chefe do jornal O GLOBO com 21 anos.
Aos 25 anos, o genial Orson Welles dirigiu, escreveu e protagonizou "Cidadão Kane", considerado pelo American Film Insitute  como o maior filme americano de todos os tempos.

Bom, mas o meu desafio é não deixar isso me abalar. Se ainda não fiz grandes coisas, como as grandes pessoas citadas a cima, preciso me focar e seguir a vida para um dia chegar lá.
Uma das minhas principais preocupações é não me permitir "ser engolido" pelos conceitos e interpretações que acompanham determinados fatores da vida.
Refiro-me, por exemplo, às profissões.
Os conceitos, as expectativas e a simbologia que acompanham as palavras "jornalista", “advogado”, “médico” e “dentista”, por exemplo, são bem maiores e poderosos do que qualquer indivíduo. Assim como a expressão "homem de 25 anos".
Restam duas opções para esse ser humano medíocre; primeira, banalizar-se, a partir do pensamento “sou um médico” ou "tenho 25 anos", passando a agir como tal, baseado na imagem já existente na sociedade, deixando de ser ele mesmo ou então, como segunda opção, pensar muito, livrar-se desses conceitos e viver sua vida normalmente. Dessa vez, sim, como uma pessoa normal, não como um fantoche fantasiado de "pessoa de 25 anos" ou de "profissional da medicina", mas sem uma bagagem emocional para suportar essas responsabilidades.
O importante é seguir vivendo apesar de tudo e com tudo. Eu sou o mesma pessoa que entrou na pré-escola louca para estudar, a mesma que jogava futebol das 15h às 20h e só não virava a noite porque a mãe mandava parar, a mesma que fez de tudo para escapar do exército e conseguiu com a grande ajuda da mesma maravilhosa mãe, a mesma que conseguiu ingressar no jornalismo da PUC após quatro tentativas no ENEM e que hoje completa 25 anos tentando esquecer que é a "metade de 50".

domingo, 22 de julho de 2012

Era uma vez uma vida

Era Uma Vez em Tóquio ou Contos de Tóquio (Tokyo Story) é um belo filme, feito no distante ano de 1953, por um diretor pouco conhecido pelo grande público, até mesmo na sua época, chamado Yasujiro Ozu. Ele fazia filmes intimistas, sem nenhum apelo comercial e esse foi seu maior êxito, décadas depois reconhecido por críticos como uma obra máxima do cinema. Filmado com â camera no chão para passar a ideia de dia-a dia, Era Uma Vez... nos insere na vida de uma tradicional família japonesa, na qual os filhos saíram da casa dos pais para tentar a vida na cidade grande, no caso, Tóquio.
Em meio à alguns elementos da cultura japonesa e diálogos corriqueiros, tentemos observar a sutileza de
Ozu. Ele nos mostra que a vida é aquilo mesmo: conversas sobre as refeições, a hora de dormir, os gostos das pessoas, lembranças de velhos vizinhos já falecidos. A partir do momento em que somos capturados pela percepção de rotina do diretor, ele nos dá um duro golpe. Já incluídos nela, passamos a perceber quão dura e triste pode ser a vida, quando ela deixa de ser normal.
A morte, os conflitos de gerações e o abandono tomam conta da tela para que a mensagem final nos seja transmitida de forma clara. A personagem mais sonhadora do filme pergunta: "A vida não é decepcionante?". A resposta vem acompanhada de um sorriso: "Sim. Ela é."A conclusão do filme pode ser considerada conformista por aqueles que conseguirem "aguentar" os intermináveis 135 minutos, mas levando em conta todos os aspectos levantados por Yasujiro Ozu, concordaremos com ele.

Quem quiser se arriscar, o filme foi lançado pela Versátil Home Video.





segunda-feira, 16 de julho de 2012

MUNDO

Existe uma propaganda atualmente na qual as pessoas seguram um tablet e falam orgulhosas: "Este é o meu MUNDO", apontando para os seus aparelhos. E eu, ali, sentado, vestindo moleton e calça velhos, em frente a uma simples televisão de 29, me pergunto: "Se o MUNDO delas é um tablet e as informações as quais eles têm acesso por ali, qual será o meu?". Qual será o MUNDO do senhor que fez os lanches que minha mãe, meus irmãos e eu comemos hoje à noite? E o da minha vizinha que passa a tarde sentada na frente da casa? E qual será o MUNDO do rapaz que esses dias veio vender abacates aqui em casa para alimentar seu vício em crack?
Nós não temos mundo porque não temos tablets?
Para os crentes, MUNDO refere-se à comunidade formada por todas as pessoas que não são cristãs. A música popular, por exemplo, é conhecida como "música do MUNDO", essa sendo considerada impura e pecaminosa. Nesse caso, o tablet da moça da propaganda é o pecado dela, a forma de se afastar de Cristo.
Wittgentein considera um "mundo como totalidade dos fatos", que independe da interpretação do homem. Para ele, o MUNDO é uma verdade absoluta. Nesse momento, lembramos mais uma vez da propaganda e concluímos que a moça vive em função daquele aparelho tecnológico, pois ele é seu "fato absoluto". Que mesquinha.
Schopenaheur defende que o MUNDO é criado a partir da representação do indivíduo, ou seja; não há MUNDO antes das pessoas manipularem-no. Pelo princípio de Schopenhauer, a moça quer que seu MUNDO seja daquela forma; cheio de possibilidades, mas solitário, sem emoção e com poucas chances de verdadeira comunicação.
Martin Heidegger vai além, considerando impossível conceituar "MUNDO" antes de entender o homem.
"Mundo e homem constituem pressupostos inevitáveis e elementos primordiais para a abordagem metafísica da questão de mundo", afirma ele. O "problema do  MUNDO" está eternamente inerente ao indivíduo.

Independentemente de qual dessas ideias de MUNDO acreditamos ou defendemos, em nenhuma delas um tablet pode ser considerado o nosso "MUNDO". O pior é que a maioria esmagadora das  PESSOAS considera isso uma evolução. Dessa forma, a humanidade segue a passos largos rumo ao enlouquecimento, ao seu  ADMIRÁVEL MUNDO NOVO.
O MUNDO dos seres pensantes depende do ser humano e existe em função dele, mas o nosso mundinho atual está transportando-se rápida e perigosamente para dentro de uma tela.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A minha loucura


A minha loucura

Minha vida é algo estranho. Não sei se é culpa da época que eu nasci, da minha cidade natal, das músicas que eu escuto, dos filmes de terror que eu assistia na infância ou, o que eu acho mais provável, da minha mente doente que veio comigo sem que eu pudesse escolher uma mais normal. Ela veio assim ou transformou-se?
Mas, baseado nesse primeiro parágrafo sem sentido, resolvi escrever palavras e frases soltas que só terão sentido para mim. Ou não?
Comecei a viver dentro de uma bola, em pequenos círculos brancos e macios, quando tinha de nove para dez anos. Os primeiros amigos mais velhos, a inversão de valores. Aprendi, desde sempre, que era errado jogar futebol sem calçado, pois eu machucaria meus pés e também sempre ouvi que era bacana ser “amigo de verdade, companheiro”. Lá, quando eu dizia que iria colocar tênis ou quando abraçava um amigo, era chamado de “viadinho”. Não sei se quero que meus filhos sejam chamados de viadinho. Mas meus pés estão bem inteiros e cresci sabendo o que é uma amizade verdadeira. Certamente valeu a pena ter sido chamado disso.
Na escola, apesar de ter convivido muito mais com pessoas diferentes do que com pessoas parecidas comigo, me saí bem. Mantive meus princípios, na maioria das vezes, apesar de ter seguido algumas modas. Mas realmente não acho que ter usado boné laranja durante alguns meses, gel no cabelo por uns dois anos e calça larga por uns três, tenha sido desvio de caráter. Normal para um guri de quinze, dezesseis anos.
This is the end, my only friend the end. The west is the best, Get here and We’ll do the rest. The blue bus is calling us... Qual será esse ônibus azul? O Jim também não sabe. Mas eu sigo tentando explicar o que o Morrison tem a ver com isso tudo. A revolta silenciosa. Vocês já perceberam que quando ele pulava no palco, parecia que ele iria gritar mais, bater em alguém, mas caia mudo, de cabeça baixa? Isso quer dizer muito. “Eu sei que está tudo errado, já fiz minha parte, agora é com vocês”. “Come on, baby, take a chance with us”. Ok. Alguém se arriscou? Muito poucos. É, James Douglas, é uma pena que tu tenhas ido tão cedo, pois teus substitutos passaram longe da tua inteligência e atitude.
Mas, hoje, passo por uma fase mais tranquila. Sinto  Sinto que estou a caminho de conseguir o que eu quero, mesmo que não saiba exatamente o que é. A bolsa na PUC foi a única garantia de felicidade da minha vida. Todas as outras conquistas e mudanças me pareceram ter mais pontos negativos que positivos.
Dou graças a Deus pelos meus pais serem meus pais. Fiquei um ano e meio dançando dentro de garrafões de vinho ou de garrafas de cachaça barata, sem que eles cortassem minha alegria. Vivi com dez reais por semana nesse período e ainda o considero o segundo melhor da minha existência, depois do atual. O gosto da irresponsabilidade é o melhor de todos. A liberdade de pensar, fazer, escutar, assistir o que quiser é fascinante. A minha liberdade só acabava na hora das refeições, que eu tinha que fazer na mesma hora de toda a família. E como foi bom. Se na época eu já valorizava, agora ainda mais. “Luquinhas, acorda, o almoço está na mesa.” Devo grande parte da minha vontade de viver e até de quem eu sou atualmente a esse pequeno detalhe. Uma refeição com todos em volta da mesa vale mais do que toda a riqueza do Planeta. O maior prazer do mundo é poder não fazer aquilo que não se quer, de forma alguma. Dormi até o meio-dia, joguei futebol, saí em todos os horários possíveis, com todos os tipos de pessoas possíveis, bebi, ouvi o Made in Brazil cantar “vivemos o dia de hoje sem pensar no amanhã” e eu, realmente, coloquei isso em prática. E viva o Rock’n Roll.
Agora estou tentado viver minha loucura, dentro do possível, sem sair da vida, sem fugir da responsabilidade. Estudar e trabalhar não é fácil.
Hoje assisti ao filme “Down by Law”. É Demais. Trata exatamente dessa loucura, desse estilo de vida inconseqüente. Mostra também a diferença que faz uma pessoa bem humorada e, às vezes, idiota, em um momento de dificuldade.
Os trouxas, os bobalhões, as pessoas fora da realidade, aquelas que riem de tudo, são os verdadeiros salvadores da humanidade. O personagem Bob, vivido de forma mágica pelo Roberto Benigni, é mais um daqueles que vão me fazer pensar para o resto da vida. “I scream. You scream. We all scream for Ice-cream”.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A fabricação da realidade, que por ser fabricada, não é realidade

A realidade é fabricada por vários aspectos. Cada pessoa, com sua subjetividade, cria sua própria e ajuda a criar a daqueles com os quais convive.
Questiono muito é a realidade geral, as convenções, os acordos tácitos da sociedade, o considerado normal por todas AS PESSOAS.
Mas vou tentar discutir aqui como se formou essa realidade, quem deu ao “bolo” o seu nome. E o cake? Objetivo refletir sobre o fenômeno que ocorre na nossa mente quando ouvimos a palavra “bolo”. O que imaginamos? (não siga a leitura antes de tentar lembrar que jeito era o bolo que você imaginou). De onde vem esse bolo? Se cada um pode imagiar um bolo diferente, a realidade não existe. Se ela não existe em discussões supérfluas como essa, porque um fato ou uma verdade vão ter uma versão só? Se a realidade não existe de forma absoluta, quem somos nós? Enquanto você está lendo, lembra de mim como? Imagina eu escrevendo em que situação? Em que tipo de computador? Com que roupa? Ok, cada pessoa vai imaginar de um jeito, então qual desses que eu sou? Eu não sou nada. Isso tudo é apenas mais uma forma de ver a frase do meu grande ídolo:
“Não existe o céu e nem a terra, mas mãos que tocam a terra e olhos que veem o sol”, Arthur Schopenhauer.
Ele nos diz que, por exemplo, a mata mais remota do planeta, que nunca foi habitada e nem visitada por um ser humano, ainda não existe, visto que não faz diferença o que está lá, se não for tocado, manipulado por um homem. É o mundo como vontade e representação, como eu desejo ver o sol e como eu quero que ele seja. Esse “quero” não é consciente, ele é totalmente subjetivo e sútil, mas essa é outra discussão bem importante que não vem ao caso.
O que fica decidido a partir de agora é que a realidade não existe e, consequentemente, a verdade também não, por isso ninguém tem razão nunca e, dessa forma, todas discussões podem ser excluídas de todas as vidas. Eu tenho a minha razão. Se eu quiser chamar de “mesa” o que determimou-se chamar de “computador”, posso ficar à vontade.

“A linguagem é fascista, autoritária”.

O Kaspar Hauser e a aula de teorias da comunicação me enlouqueceram.


O Enigma de Kaspar Hauser, Herzog. Alemanha, 1974


sábado, 24 de março de 2012

Roger Waters e o The Wall

O músico inglês Roger Waters se apresentará dia 25 de março, domingo, no estádio Beria-Rio, em Porto Alegre. Ele mostrará na capital a turnê que iniciou em 2009, como comemoração dos 40 anos do disco The Wall, de 1979, tocando o disco na íntegra e na ordem original.
The Wall é um disco duplo, conceitual, sobre guerra, problemas da infância e da educação, conflitos existenciais, vazio interior e tijolos. Podemos nos perguntar qual o sentido dos tijolos no meio de todos os outros temas. Waters nunca deu a explicação exata, mas entre todas as opções, a mais aceitável é a exposta pelo filme homônimo, dirigido por Alan Parker , estrelado por Bob Geldoff e produzido pelo próprio Waters. Como o pai do músico foi morto na segunda guerra e recebeu, como “homenagem”, uma sepultura simbólica em seu nome, em um muro, Waters estaria se utilizando de uma metáfora para dizer que seu pai deixou de ser humano para se tornar “just another brick in the wall” (apenas mais um tijolo no muro).
Além disso, os tijolos representam os problemas que enfrentamos. Dessa forma, acabamos construindo um muro ao nosso redor, que nos separa do mundo, deixando-nos isolados. No primeiro disco, o personagem fictício relembra a infância com a ausência do pai, a indiferença da mãe e as humilhações pelas quais passava na escola. Após isso, ele entra em depressão, chegando ao ponto de rejeitar uma bela mulher, destruir a casa na presença dela e se despedir do céu azul, em “Goodbye, blue sky” e do mundo, em “Goodbye, cruel world” (adeus, mundo cruel), a última faixa do primeiro disco.
Somente no segundo disco, ele percebe que já está dentro do muro e se pegunta: “is there anybody out there?” Não há resposta, as memórias da morte do pai e da guerra voltam, até ocorrer a loucura (palavra perfeita para descrever os fenômenos Floydianos) maior. Ele sonha que é um líder nazista, que está raspando todos os pelos do corpo, expulsando negros, judeus, usuários de drogas e homossexuais de um recinto. Após isso, espanca pessoas na rua e é ovacionado por seus adoradores, como um verdadeiro Fuhrer. Na faixa “Stop”, o personagem volta a ter certa lucidez e pede para que tudo pare. Mas não adianta.
Em The Trial (o julgamento), penúltima faixa, ocorre o desfecho da história: “There must have been a door there in the wall when I came in” (tinha que haver uma uma porta lá no muro quando eu entrei). Mas o muro foi contruído pelo próprio prisioneiro narrador e não há mais saída. Dessa forma melancólica, Waters nos tira qualquer esperança de salvação, mas faz questão de nos lembrar, na última faixa, Outside the Wall, que ainda há vida lá fora, apesar de não podermos mais participar dela. Arrependido de ter se fechado para o mundo, o persongem tem seu trágico fim.
É essa história genial, obscura e arrebatadora que faz de The Wall um dos maiores discos da história do Rock’n Roll e um dos marcos da contemporaneidade.