Em entrevista concedida na noite do último domingo, o pastor Fernando Porto, da Igreja
Quadrangular de Porto Alegre, garantiu estar ao
lado de Marcos Feliciano. Chamando-o de “servo de Deus”, afirmou que o
deputado não quer o mal dos gays, mas levar as leis do Senhor
a eles. O religioso disse que “muitas vezes a palavra de Deus confronta as pessoas”, mas elas não aceitam a correção e ficam ofendidas, o que, de acordo com ele, ocorre com os homossexuais, que são "pecadores e necessitam de arrependimento".
Entrevista com pastor Fernando Porto
Muito se fala atualmente na influência da religião na política. Há
pouco tempo, as associações religiosas eram escutadas, mas não tinham
poder efetivo de decisão. Neste ano, com a eleição do pastor Marco
Feliciano para a presidência da comissão dos direitos humanos, os
evangélicos conquistaram um espaço importante. Negros e homossexuais
tinham sido ofendidos com frases fortes no twitter do crente, e desde quando ficaram sabendo da eleição dele, os defensores das minorias protestam incansavelmente em todo o Brasil.
A professora de história da UFRGS Céli Pinto disse, em entrevista,
que considera absurdo “uma pessoa que não pratica os direitos humanos
presidir a comissão” e lamentou o fato de muitos brasileiros
concordarem com ele. Dia 12 de abril, o site do G1 promoveu uma votação perguntando se as pessoas são a favor do casamento gay e o resultado anda no mesmo sentido da opinião de Céli. Os intelectuais, em
geral, temem as atitudes do novo presidente. Caetano Veloso, por
exemplo, classificou Feliciano como "um homem irado".
“O pastor Marco Feliciano precisa expor suas opiniões”, declarou
Fernando, argumentando que a igreja evangélica é só mais uma
a entrar na política. O pastor acredita que muitos defendem
o casamento entre pessoas do mesmo sexo na igreja somente para ridicularizá-la. Ele falou que várias representações da sociedade participam das decisões do país. Portanto, por mais que "as religiões muitas vezes
beneficiem alguns", elas precisam interferir.
Ele lembrou
que quando uma pessoa mata a outra, ela é condenada. Então, “não precisa
criar uma lei para beneficiar os homossexuais”, pois todos são iguais e
devem ser protegidos da mesma forma.
Fernando Porto garantiu que não tem “nada contra os gays, nem contra as
lésbicas”, mas reitera que eles são, sim, “contra as
leis de Deus e que precisam de cura”. Feliciano declarou, recentemente,
que não pretende deixar seu cargo, apesar das
manifestações de boa parte da população.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Para ler embriagado
O sol
está querendo aparecer. O meu coração tem o mesmo desejo do Lou
Reed, que fala por mim. A minha ansiedade pulsa no ritmo da guitarra
do Sterling Morrison. Ao mesmo tempo em que penso em dormir, o Velvet
Underground me convida a seguir curtindo a noite. Acabou a cerveja,
mas a sonoridade me embebeda. Cada batida da Maureen Tucker me soa
como uma palavra de ordem que me leva ao prazer.
Assim
como eu tento ser autêntico em todas as situações, Jean-Luc Godard
foi no início de sua carreira. Ele subverteu várias regras de
roteiro em Acossado, assim como eu busco fazer com as atitudes
previsíveis dos relacionamentos no dia a dia. A vontade de “fazer
o que ainda não tinha sido feito” é fascinante e desafiante,
principalmente quando aplicada na fila do pão, na espera pelo
ônibus, na rotina de um órgão público. O céu está ficando
azulzinho, assim como um terço da bandeira francesa. Está passando
da hora de dormir.
Heroin
me traz de volta para a emoção da noite, apesar da falta de luz já
estar “resolvida” e o coração já estar se conformando com a
tristeza do sono. Por mais que eu tente, não consigo ficar sem
dormir. Isso é triste. Sete, oito, nove horas desperdiçadas em nome
de um repouso, de um pedaço de morte, de uma depressão. Acordar,
comer, estudar, comer, trabalhar, comer e dormir me tornam totalmente
medíocre e decepcionado comigo mesmo, pois eu sonhava ser um Jim
Morrison dos pampas.
Eu
tento viver de uma maneira diferente, mas as obrigações diárias me
impedem, me trazem de volta para a tortura da vida. Da mesma forma, O
Lou Reed tenta viajar comigo em uma utopia de noite eterna, mas o sol
fatalmente invade minha casa, me obrigando a franzir a testa. Eu
sofro dos mesmos males que Porto Alegre. Percebo aqui minha ligação
eterna com essa cidade, como a contradição que sou. Rock’n roll
misturado com complexo de inferioridade com relação ao centro do
país e uma arrogância inata, um nariz empinado. A suposta
inferioridade nos torna diferente. E o fato de não ser igual nos
eleva a outro nível.
E a
guitarra sessentista segue, não consigo resistir a ela. Prefiro sonhar
sem realizar a não desejar nada. Inevitável luz do dia. Maldita.
Insuperável Velvet Underground. Esperanças eternas de felicidade.
Deixe-me sem comer, mas não leve meu “disco da banana”.
Jornalista idealista morre sufocado por emoções que nunca
existiram. Sim, a vida é decepcionante.
terça-feira, 12 de março de 2013
O Barcelona acabando com a emoção do futebol
-->
Quem gosta de cinema de qualidade, sabe o quão chato é sentar na frente da tela, o filme começar e a partir de um certo momento, perceber que não terá surpresa nenhuma. Aquele final sem graça, esperado. É exatamente isso que está acontecendo com o futebol europeu há alguns anos. O pior é que assim como 'O Lado Bom da Vida' concorre ao Oscar e todos acham normal, também é considerado bom para o espetáculo um time massacrar e resolver a partida em poucos minutos. Os expectadores sabem como acabará.
Temos um time que vence os jogos de forma natural e assim como ocorre com os filmes vazios, as pessoas se divertem, comentam nas redes sociais, porque é mais fácil, exige menos do cérebro. O Barcelona é perfeito para uma geração de compartilhamentos, de frases feitas, de mentes que mais parecem máquinas. Depois de ver um jogo do clube catalão, não precisamos ver os outros, porque os lances se repetem assim como acontece com as piadas nas rodas de amigos, com os comentários no twitter. Assitir a um jogo truncado no campeonato inglês é lindo, precisamos de concentração o tempo todo. O golzinho por cobertura repete dezenas de vezes e podemos curtir tomando suquinho, olhando para os lados.
Que jogaço aquele Manchester x Real Madrid. Os espanhóis venceram por um gol, no detalhe. Isso é emoção, "coração na ponta da chuteira", como costuma dizer o gigante Galvão Bueno. Nos jogos do Barcelona, o anti-futebol impera. Só onze jogam e os outros onze correm atrás. Aqueles que não acompanham a grande festa da bola com assiduidade são convidados a participar das discussões . Se votam nas eleições sem conhecer os candidatos, se expõe suas vidas no facebook sem critério nenhum, se ficam bombados para brigar nas festas, por que não aplaudir mais um gol do Messi e twittar depois?
Quem gosta de cinema de qualidade, sabe o quão chato é sentar na frente da tela, o filme começar e a partir de um certo momento, perceber que não terá surpresa nenhuma. Aquele final sem graça, esperado. É exatamente isso que está acontecendo com o futebol europeu há alguns anos. O pior é que assim como 'O Lado Bom da Vida' concorre ao Oscar e todos acham normal, também é considerado bom para o espetáculo um time massacrar e resolver a partida em poucos minutos. Os expectadores sabem como acabará.
Temos um time que vence os jogos de forma natural e assim como ocorre com os filmes vazios, as pessoas se divertem, comentam nas redes sociais, porque é mais fácil, exige menos do cérebro. O Barcelona é perfeito para uma geração de compartilhamentos, de frases feitas, de mentes que mais parecem máquinas. Depois de ver um jogo do clube catalão, não precisamos ver os outros, porque os lances se repetem assim como acontece com as piadas nas rodas de amigos, com os comentários no twitter. Assitir a um jogo truncado no campeonato inglês é lindo, precisamos de concentração o tempo todo. O golzinho por cobertura repete dezenas de vezes e podemos curtir tomando suquinho, olhando para os lados.
Que jogaço aquele Manchester x Real Madrid. Os espanhóis venceram por um gol, no detalhe. Isso é emoção, "coração na ponta da chuteira", como costuma dizer o gigante Galvão Bueno. Nos jogos do Barcelona, o anti-futebol impera. Só onze jogam e os outros onze correm atrás. Aqueles que não acompanham a grande festa da bola com assiduidade são convidados a participar das discussões . Se votam nas eleições sem conhecer os candidatos, se expõe suas vidas no facebook sem critério nenhum, se ficam bombados para brigar nas festas, por que não aplaudir mais um gol do Messi e twittar depois?
segunda-feira, 11 de março de 2013
Ousadia
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"And in the end, the
love you take is equal to the love you make", Paul McCartney
Essa frase da música “The End”, dos Beatles, o
maior nome da música no século XX, me faz lembrar de algo que eu penso há muito
tempo. O amor que recebemos será, no fim das contas, exatamente igual ao que
damos. A bala que me foi recusada na infância por um amigo foi negada a ele
alguns dias depois. Pais separados e ricos ou pobres e unidos? Quem teve pobres
e separados certamente nasceu com uma força maior ou será recompensado com um
emprego bom, com ótimos amigos ou terá irmãos que ajudarão a “pegar junto”. A infelicidade é dividida por um mundo cuja perfeição é incompreensível para nós,
pobres humanos.
Evoluindo no tema, acho que a vida é exatamente
igual com todo mundo, excluindo as pessoas às margens da sociedade, é claro. A
respeito dessas, ainda quero conversar olho no olho com o Ser que criou esse
mundo e nos “jogou” dentro. Exatamente por isso, acho que aquele conteúdo lido,
mas não usado na prova, um dia nos será útil. A pessoa que ajudamos, o amigo
que carregamos nas horas difíceis, o sorriso não correspondido, a gentileza que
recebeu uma resposta fria. Aquelas pessoas que agradamos, que amamos, mas pelas
quais somos ignorados, serão rejeitadas por alguém. Nós seremos brindados pela simpatia grátis de um desconhecido. “Who
ever you are, I’ve always depended on kindness of strangers”.
Se eu me esforçar para fazer algo bom, para
ajudar as pessoas, vou me cansar fisicamente, me estressar e a minha recompensa
será proporcional a essa dedicação. Se eu não fizer nada de bom, nem de ruim,
nada de bom nem de ruim me acontecerá. Quem fica todos os dias em casa
assistindo televisão acabará a vida em casa assistindo televisão. E,
consequentemente, se prejudicar alguém, o prazer que essa atitude me deu será
equivalente ao meu sofrimento depois. Tudo isso depende de escolha. Em nenhum
momento julgo as escolhas sobre as quais discuto aqui, uma vez que todas
dependem de opção pessoal.
Quem começou a trabalhar com 16 anos, vai viver
mais para curtir a aposentadoria ou gozar de grandes e confortáveis férias
durante a vida. Quem morre jovem em um acidente de trânsito por estar correndo,
é porque já sentiu toda emoção que a maioria das pessoas levam décadas para
viver. Aquele que se conforma com alimentação saudável, que dorme e acorda
cedo, não corre de carro, não bebe, não fuma, não briga e não mantêm atividades que podem matar, é porque consegue ter apego à rotina. Logo, merece
viver cem anos dessa forma. E os outros, morrerão jovens, mas terão, de fato, vivido
o mesmo que os primeiros. Porém, com maior intensidade e em um menor espaço de
tempo.
Temos incontáveis exemplos de pessoas que
preferiram viver intensamente a morrerem velhos. Se o Jim Morrison não tivesse
aquela ânsia por emoção, hoje estaria de pantufas desfrutando dos seus milhões,
mas não teria apagado seu fogo. Apagou, morreu aos 27. Conta-se que Elvis
Presley comia bacon todas as manhãs. Se ele se contentasse com maçãs, poderia
estar vivendo até hoje. Mas será que valeria a pena? Ele achou que não. No rock’n
roll, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Sid Vicious e Cazuza também são ótimos
exemplos.
Raul Seixas viveu da sua música, o que também
pode ser extremamente emocionante enquanto se consegue fazer shows quase todos
os dias, participar de programas de televisão, ser reconhecido na rua. Na década
de 80, o fabuloso disco "Abre-te Sésamo" não foi compreendido pelo
grande público e Raul passou a beber todos os dias, inclusive pela manhã.
"Afundou-se" no consumo de álcool, pois não aceitou viver sob a
pesada mão da rotina. Faleceria em 1989, aos 44 anos. Com meia idade e alguns
momentos com muitas emoções, outros com menos. Mais uma prova da teoria.
Quem estuda, passa no vestibular, no concurso. Se
não, poderá utilizar esse conhecimento para conquistar uma pessoa, para fazer
um amigo, para ganhar um prêmio em algum jogo no estilo do antigo Show do
Milhão. Em algum momento, o mundo o recompensará. Nenhum esforço será em vão. O
chocolate roubado por uma criança pode ser "devolvido" em forma de um
banho de chuva na volta para casa, após um duro dia de trabalho, 30 anos
depois. O corpo também recebe tudo de volta. Eu, por exemplo, me atirava de
joelhos no chão de cima de uma escada de três degraus. Atualmente, sinto dores
neles de vez em quando.
Existem mais dezenas de exemplos, mas a
demonstração está feita. É nisso que eu acredito. Portanto, o rico, bonito e de
boa família chegará ao fim da vida tão infeliz quanto o pobre, feio e sem família,
porque tudo acabará empatado. É por esse pensamento que muitas vezes acabo sendo
um tanto quanto acomodado. Às vezes, me dedico muito para ter sucesso em alguma
empreitada, mas, no fim das contas, ela acaba me trazendo a mesma satisfação
que muitas vezes tenho sem mover um dedo. Mas quando dá certo sem esforço, pode
ser devido ao meu ótimo comportamento na infância. E quando dá errado, talvez
tenha sido por eu ter atrapalhado o sono da vizinha com minha música alta.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Dois anos e nove meses em três páginas
Enquanto Casablanca roda no meu aparelho de DVD pela centésima vez, eu volto em
pensamentos para junho de 2010. A Copa do Mundo acontecia na África do Sul e eu
estava ansioso aguardando a ligação que
confirmaria meu ingresso na Livraria Saraiva, do Barra Shopping Sul. Fora
indicado pelo amigo e ídolo Helder Moura, que apesar de estar trabalhando lá há
apenas dois meses, já era muito respeitado e querido pela gerência. Naquele
momento, eu já tinha passado na prova e feito entrevista com a gerente, Tatiane
Lopes. Só restava aguardar.
No dia 14 daquele mês, por volta
das 18h, meu celular tocou e, do outro lado da linha, estava o então líder de
vendas do turno da manhã, Lairton Bernardes.
Ele solicitou que eu me desligasse o mais rápido possível da empresa na
qual eu trabalhava e, parabenizando-me, informou que eu estava contratado. Eu trabalharia das
17h às 23h, mas passado meio mês, passei a cumprir o horário das 14h às 20h, o
que me ajudou muito nos estudos, pois não chegava muito tarde em casa. Sempre
quis trabalhar lá e, depois de entregar mais
ou menos dez currículos, durante dois anos, na loja do Praia de Belas, tinha
conseguido, por ironia, no outro shopping, que até aquele dia, eu não
simpatizava muito.
Fui recebido pelo líder de vendas
da tarde, Marcelo Brasil, que disse tudo o que eu queria ouvir; “pode vir com o
tipo de calça que quiser, com a camiseta que faz teu estilo, pode deixar a
barba, se sempre quis deixar o cabelo crescer, essa é a hora”. Vindo de um
primeiro emprego que era um arremedo de ditadura militar, senti-me o cara mais
feliz e realizado do mundo com aquelas inesquecíveis palavras. A partir daquela
recepção, comecei a relembrar quem eu era de verdade e o que queria da vida. Vejam
só, que atraente, trabalhar com CDs, meu maior vício. Para completar a alegria,
nesse meio de 2010, vi meu time vencer a Libertadores e consegui me “livrar” de
um namoro que muito me prejudicava.
No início, eu era conhecido simplesmente
como o “amigo do Helder“. Aos poucos, fui adaptando-me aos colegas, ao modo de trabalho
da Saraiva e, dessa forma, acabei crescendo como pessoa e, consequentemente ,
como profissional. Foi extremamente estranho, apesar de bom, lidar com a
liberdade de pensar, de discordar e de ser eu mesmo, uma vez que eu nunca tive essa
oportunidade no meu primeiro trabalho. Após três meses, já estava totalmente
inserido nas rotinas do meu setor. Lá
trabalhavam a Natacha Petkovicz, quase uma segunda mãe, que me mandava estudar
e perguntava se eu estava dormindo bem e o mestre Jean Flecke, cujo “cérebro é
um HD com capacidade infinita”, como disse o Helder, também colega de
setor, ao me apresentar a ele.
Marcela Goldschmidt, Gisele
Alves, Geison Barbosa, Natacha Petkovicz Jean Flecke, Suzane Hallmann,
Emanuelle Balk, Felipe Casser (cantor, pensador e degustador de vinhor),
Tatiane Lopes, Jamila Macedo, Giovani Nunes e Sabrina são pessoas sensacionais que
conheci nesse início. Continuo conversando com elas até hoje, pessoalmente ou
pelas redes sociais. Certamente são amigos para a vida. Na Saraiva, tive
oportunidade de conversar com clientes experientes e cultos, fãs de Ingmar
Bergman, de Miles Davis, de Nietzsche. Aprendi com meus três companheiros de setor
a valorizar um verdadeiro bom filme e com os colegas da livraria, um livro bem
escrito. A música já era minha paixão, portanto, só expandi meu conhecimento.
Nesse
glorioso período da minha vida, consegui minha tão sonhada bolsa do ProUni,
para estudar na FAMECOS. Devo tudo isso, além do meu esforço, à Saraiva, pois
me possibilitou uma carga-horária baixa
com relação a qualquer outra loja e o Leia Mais, através do qual
consegui retirar livros de gramática e de história interessantíssimos, que me auxiliaram
no ENEM, e clássicos em geral, que aumentaram minha “bagagem”. Além disso, me
foi permitido inclusive uma flexibilidade no horário para participar de festas
e eventos na faculdade no primeiro semestre.
Dia 30 de março de 2011,
aconteceu algo que marcou para sempre minha vida; Ozzy Osbourne fez show em
Porto Alegre. Estavam comigo Marcelinha, Jamila, Suzane, Geison, Alexander, Bruno
Paoli , Maurício, e Karina, da Saraiva, além da Janice, do Eduardo, do Darci,
do Joe e do lendário Chapecó. Emoções fortes entre amigos e celebração ao pai
do Metal.
Inesquecível dia em que
conversávamos Helder, Tati, Giovane, Jean e eu com a lista dos vencedores do Oscar de melhor filme na mão, riscando os
que o Giovane já tinha na coleção. Era minha inclusão em um mundo do qual
sempre quis participar. Consumidores de cultura que gastam mais, ao invés de
adquirir um DVD com aquela escrita terrível de caneta com o nome do filme e a
palavra “dublado” em baixo (absolutamente nada pessoal contra quem os tem). Como não lembrar também das dezenas
de vezes em que, enquanto guardávamos os filmes, a Natacha me perguntava se eu
já tinha assistido algum específico e ao ouvir “não” como resposta, exclamava:
“Não?! Meu querido, esse tu tem que assistir hoje”. E o Helder: “Se você não viu esse, o que você viu? Só o
Sexto Sentido?”. Por isso, comecei a assistir Tarantino, Paul Thomas Anderson,
Chaplin, Bergman, Godard, etc.
Com carinho, recordo do meu
primeiro dia no caixa, com a Sônia Vigneaux e a Marcela, uma de cada lado, me dando as
dicas. Várias gargalhadas seguidas da
tradicional frase “a gente ganha pouco, mas se diverte”. Nessa época, por volta
de Fevereiro de 2011, eu já não ficava mais somente no meu setor, arriscava-me
na livraria e vendia alguns notebooks de vez em quando. Sempre gostei de atuar
no caixa, inclusive pedindo para aprender, o que causou espanto na Tati, que
certa vez disse que eu era “a única pessoa de outro setor a pedir para operar
no caixa”.
Tirei minhas primeiras férias,
exatamente no mês que solicitei, graças a mais uma generosidade da Tati. Em
2011, muitas daquelas pessoas de quem eu gostava saíram, para trabalharem em
suas áreas, serem felizes. Isso é muito bom. Mas, em contrapartida, nesse mesmo
ano, entraram outras tão inesquecíveis como as primeiras, com as quais pretendo
manter o contato, como o grande Vinícius Marçal, minha parceira de pessimismo Gabriela
Santos, a louquinha de bom coração Sandra Cassariego (a única pessoa chata que
eu gosto), a Gabriele Soares (talvez a pessoa que eu mais tenha incomodado para
achar livros), o filósofo Pedro Gomes e a Larissa Prigol.
“Aí, seu Lucaaas! Qual é a
situação?” A situação do final desse ano é que eu fiquei bebendo no posto,
algumas vezes, após sairmos à meia-noite, com Helder (contrariado, louco para
ir embora, hehehehe), Tati, Rita, Gustavo Affonso e o velho Alex Alves, novato
na época.
Em 2012, apenas o Alessandro
Pedroso, o Felipe, a Gi (que voltou após pouco tempo fora), o Helder, a Tati e
o Jean eram mais antigos que eu na loja. A partir daí, promovido a vendedor
talento, juntamente com minha companheira de “sofrimento “ Kamila Moura, entrei
de vez nos complexos procedimentos da Livraria Saraiva; recall, E.G, SIS,
saraiva.com, alocação, romaneios, notas fiscais. Fui apresentado a esse mundo
de forma assustadora, mas consegui me adaptar e me saí bem, apesar de uma caixa
perdida, notas não impressas e alguns produtos não encontrados.
Nesse mesmo ano, a galera da
Espaço Vídeo invadiu a Saraiva. Anderson Stoll (longas discussões sobre Deus e
sobre o amor), Diego Flores, o ator e músico Bruno Daitx e a Carol Lemos, a
funcionária que vi ser promovida mais rapidamente. O grande viajante Marcel Fenner
também entrou em 2012, mais ou menos junto com o Jonathan Ganguilhet. Eis que
no final do ano, tivemos outras três belas surpresas; Guilherme Maltha, professora
Helena Gastal e Diógenes Armani, autor das
melhores e mais longas apresentações da história das rapidinhas.
Depois de tantas emoções vividas
e extraordinárias pessoas no meu caminho, me demiti, há uma semana. A obrigação
me chamou. Tenho um sonho que só tem alguma chance de se tornar realidade se eu
começar o mais rápido possível a lutar por ele. Agradeço pela ajuda no recall,
na E.G, na ‘.com’. São tantas pessoas espetaculares, que eu escreveria um texto
para cada uma que foi citada aqui. Mas todos sabem o quão importantes são para
mim e o quanto vale a amizade que construímos nesses tempos trabalhando juntos.
A parceira continua! Valeu, de verdade! Nos falamos por aí. Não deixem de me
chamar para as festas e também nas horas difíceis, porque amigo serve para isso
também.
Quis o destino que o meu ídolo
Helder Moura estivesse longe no meu último dia, mas valeu pela lembrança no
facebook e pelo celular, assim como a Marcela, que compartilhou a recordação do
início da nossa amizade e a Gi, que me emocionou com uma belíssima mensagem de
“despedida”. Vou lembrar para sempre dos inúmeros abraços da Tati no meu último
dia, da expectativa que eu tinha a respeito dela que acabou totalmente
superada, do sentimento e da minha gratidão que voltava para mim através dos
olhos dela.
Os meus dois anos e nove meses na Saraiva são a
prova de que as orações da minha mãe são ouvidas por Deus, pois ela sempre
pede para que somente pessoas boas
passem pela minha vida.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Helder, o homem adorado por todos
Helder da Silva Moura, paulistano, 24
anos, é sub-gerente da Livraria Saraiva do Barra Shopping Sul, em Porto Alegre.
Antes de ser promovido, há um ano, brincava e conversava com todos e era o primeiro
a fazer amizade com os colegas novos. Agora segue sendo querido, apesar da
obrigação de ser enérgico na coordenação dos trinta e três funcionários.
Ele é o homem de confiança da gerente e conta
com a simpatia da supervisora. Nem mesmo Nei, lateral campeão da Libertadores
pelo Internacional, resistiu ao carisma dele.
Desde o dia em que o jogador recebeu o primeiro atendimento de Helder, os dois tornaram-se grandes amigos e, pouco tempo depois, confidentes.
Desde o dia em que o jogador recebeu o primeiro atendimento de Helder, os dois tornaram-se grandes amigos e, pouco tempo depois, confidentes.
Muitos já ouviram as sábias dicas
amorosas do chefe e frequentemente o elogiam nas redes sociais. “O Helder é o
melhor conselheiro”, disse a funcionária Kamila Carvalho, certa vez, em um site
de relacionamentos. Ao escolher a pessoa mais confiável dentre todos seus
contatos, Kamila Moura também optou pelo paulista.
Leva nos braços a tatuagem dos
autógrafos do guitarrista Dean DeLeo e do baixista Robert DeLeo, integrantes da
banda Stone Temple Pilots, que é sua favorita. Corintiano fanático, está
extremamente contente com os resultados de 2012; seu time campeão da América e
o rival, Palmeiras, rebaixado à segunda divisão.
Agradando
sem esforço
Helder jamais perde a oportunidade de
fazer piada com alguém, está sempre atento para ser o primeiro a vaiar os erros
de português, as gagueiras e os escorregões, mesmo sabendo que isso pode
ofender. Ontem, Pedro Gomes falhou na pronúncia do nome de um filme e foi
corrigido sem piedade. Minutos depois, os dois riam da situação.
Não
há reclamações do chefe, apesar de sua “chatice”, somente uma grande vontade de
auxiliá-lo, para que siga no cargo. O talento de liderar de forma natural, a despreocupação
em agradar e a permanente ironia são os motivos que o tornam tão especial. Ele reage
de forma humilde e tranquila aos elogios, sem deixar de ser o piadista, crítico
implacável e grande parceiro de sempre. Todos adoram.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Eu sinto
Dê um play para que a leitura flua de forma mais natural.
Eu vivo em
constante exercício de auto-conhecimento. Para isso, preciso refletir muito,
conhecer muitas coisas, ter experiências novas para saber como vou reagir
diante delas e ficar sozinho por bastante tempo. Eu sinto quando as pessoas que
eu gosto estão tristes, sem que elas falem. Certa vez, um grande amigo meu
voltou calado da sala de aula e eu identifiquei o abalo dele antes mesmo que eu
soubesse do problema que ele enfrentara na aula.
Prefiro estar
por baixo a estar por cima. Sinto-me mais feliz e mais humano quando sou o
único a não saber algo do que quando sou o único a saber. A sensação do “não
sei” é fantástica, pois ela abre portas e nos possibilita ir adiante para que
possamos evoluir. Quem sabe tudo já pode morrer, visto que não precisa conhecer
mais nada, ou seja, não necessita mais viver. Eu sempre observo a grande
batalha que as pessoas travam pelo poder e me entristeço, porque sei que quando
elas alcançarem o objetivo perceberão que “aquilo” não traz a felicidade
esperada. Mais uma vez a recorrente decepção, a “personagem” principal da vida.
Quero chegar à
velhice com um conhecimento enorme sobre a vida, sobre mim mesmo e,
especialmente, sobre as pessoas em geral. Por mais que esse pensamento vá totalmente
contra a profissão que quero seguir, eu realmente acho que um ser humano pode,
sim, ser extremamente feliz sem saber o nome do presidente do seu país e sem
saber escrever nem ler. O importante para a verdadeira satisfação é saber
“escutar“ o próprio coração e conseguir manter uma relação sadia com as pessoas
a sua volta, ouvindo-as e prestando atenção nas suas opiniões e anseios.
Teorias
políticas, debates esportivos, programas de entretenimento e filmes que não
fazem pensar tiram o foco daquilo que deveria ser a obsessão do ser humano; seu
próprio eu, suas emoções e suas angústias. Uma conversa olho no olho com um
amigo de infância vale mais que mil “conversas” através do facebook.
Por que eu vou
para casa? Por que eu trabalho? Por que eu compro CDs e DVDs? Por que eu bebo
aos finais de semana? Por que eu vou ao Laika ou ao Beco? Por que eu gosto de
futebol? Por que eu escuto The Doors, Beatles e Raul Seixas há tanto tempo e
nunca enjoo? Pergunto-me sobre mim mesmo o tempo todo.
Por que eu
dizia que odiava samba e agora estou exageradamente fã do Jorge Ben? “Balança,
Pema. Balança sem parar. Arrasta as sandálias. Arrasta até gastar”. Que ligação
essa frase tem comigo? Nunca sambei, nunca arrastei as sandálias. Aliás, nunca
cheguei sequer a usá-las. Será um desejo oprimido, de morar no Rio de Janeiro e
ir para a Lapa sambar em vez de sair para escutar The Stooges, AC/DC e Sex
Pistols no Laika?
Por que eu
gosto tanto da França? A seleção da Copa do Mundo de 1998 era simpática, mas
esse não é um bom motivo, uma vez que futebol é um simples entretenimento na
minha vida e definitivamente não influencia na minha personalidade. Ainda não
concluí, mas acredito que seja pelo meu fascínio pela revolução francesa, por
todo o histórico de greves dos trabalhadores do país, do Maio de 68 e,
finalmente, pela França ter sido berço do movimento cinematográfico que mais me
encanta; a Nouvelle Vague.
O cinema, sim,
altera de forma arrebatadora minha mente. A vontade que tinham os realizadores
Jean-Luc Godard e François Truffaut, os mentores da Nouvelle Vague, de fazer um
cinema diferente de Hollywood, com trilha sonora menos dramática e mais
provocativa, com atrizes nem sempre arrumadas e heróis um tanto quanto
confusos, não com a personalidade previsível no padrão norteamericano pós-guerra.
Era a França demonstrando ser um país com personalidade. Após ser devastada
pelos nazistas, tentava fugir das determinações do único verdadeiro vencedor da
Segunda Guerra.
Por que me
mudei de Cachoeira do Sul, se sou tão apegado aos meus pais? Talvez seja para
me sentir, de forma mais intensa, fazendo “parte da história do mundo”, uma vez
que ocorreram mais fatos importantes para a humanidade em Porto Alegre do que
na minha querida cidade natal. A tentativa de tentar entender o porquê de todas
as minhas paixões e preferências é uma das formas menos falíveis de atingir meu
tão sonhado auto-conhecimento. Esse sonho faz parte do projeto de vida de um
cara extraordinariamente sensível, que prefere sentir a pensar.
Meu coração
está dizendo que Taj Mahal é a trilha perfeita para ler ou escrever esse texto. O novo desafio
é compreender por que. É exatamente dessa forma que eu vivo. Estou sempre
atento aos meus sentimentos e depois tento entendê-los.
Dêde Dederedê.
Dêde Dederedê.
Dêde Dederedê.
Dêde Dederedê.
Taj Mahal...
Dêde Dederedê.
Dêde Dederedê.
Dêde Dederedê.
Dêde Dederedê.
Taj Mahal...
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