Eu sou eu.
Jamais me compare a ninguém.
Nunca me chame de alguém.
Não tente me encaixar.
Eu sou eu. Conhece?
Eu sinto sozinho
e sofro com orgulho
Eu penso
por mim mesmo
Eu sou aquele que...
Eu vivo rodeado de "pessoas"
Eu ouço as vozes
Eu tenho vida própria.
Não me classifique como homem.
Nem como pessoa.
Não sou "um filho"
nem um "sobrinho
nem um "pai"
nem um avô
muito menos um "vizinho"
Não sou filha
sobrinha
prima
avó
nem sua amiga doce, linda e querida
Eu não sou "o jornalista Lucas"
Nunca serei.
Pois eu estou aqui
na sua frente
E tenho nome completo.
Não me chame de "estudante de jornalismo"
Nunca se refira a mim como "um amigo meu"
Não ouse me chamar de "gente".
pois meu nome é Lucas Vidal Domingues.
Prazer.
Eu sou eu.
Eu sou você
Eu sou a humanidade
e o homem das cavernas sou eu
Todos com as mesmas angústias,
morrendo abraçados envoltos por sangue, dor e terror
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Reflexões para o dia do aniversário
Minha condição de trabalho atual não é tão favorável. Adoro
a noite, mas a troquei por dez notinhas verdinhas e pelo início da realização
de um sonho profissional. Não costumo errar nesse tipo de escolha. Serei
recompensado, mas estou bancando o infeliz, do tipo que muito pensa no futuro e
ignora o presente. Me seguro diante das tentações. Só tomo refrigerante nos
finais de semana, andei recusando algumas festas e fazendo pouco caso das
minhas antes sagradas noites de sábado.
Nesse momento, durmo até às três e meia da tarde
para me esconder da vida. Brinco
de ser gente normal, sendo que se uma criança visse meu interior sentiria mais
medo do que diante de qualquer filme de suspense. As dúvidas eternas e o “velho
sonho que vai dar sempre onde começou”, como disse Raulzito.
Escuto samba olhando para o pôster do Pink Floyd que
preenche quase a metade da parede do meu quarto. Escuto Eminem e o considero
mais punk que o Green Day, o Blink-182 e o Offspring juntos. (algum dos três
costuma enterrar a mãe nos videoclipes?). Curto filmes que me emocionam demais. Idolatro o Dom Corleone, mas se ele fosse real eu
o odiaria. Não estou arrependido de nada que fiz nessa vida, de absolutamente
nada mesmo. Eu fui bem melhor do que eu poderia e bem pior do que eu esperava.
Aos seis anos, eu dizia que queria ser fotógrafo e mecânico (ao mesmo tempo), aos onze queria ser o Marcelinho Carioca, com treze, achava que jogava futebol igual ao Lúcio (ex-zagueiro do Inter) e com quinze, pensava ter nascido para ser pastor evangélico. Em 2003, com dezesseis, sonhava ser vocalista de uma banda obscura de rock’n roll ou o novo Mr. Pi. Aos dezessete, me considerava alternativo, diferente, especialmente quando enchia a cara cantando Legião Urbana sentado no chão da Praça Honorato.
Com dezenove, vim para Porto Alegre para tentar me encontrar
e encontrei o Lucas que eu procurava, mas acabei perdendo aquele que ficou em
Cachoeira do Sul. Eis o paradoxo; sinto saudades dele e ele desejava ser como
eu sou hoje. Que orgulho ele deve estar sentindo de mim! Nunca vou me dar por
satisfeito com a vida. E depois de tantos anos considerando isso ruim, me
conformei que essa insatisfação eterna é totalmente edificadora.
Feliz aniversário para mim. Eis que envelheço na cidade. E o
faço na cidade que escolhi para isso. Chego à data tão esperada por um grande
amigo meu, metido a piadista, um verdadeiro gênio. Ele dizia que um dia eu
completaria vinte e seis anos no dia 26. "Isso acontece no máximo uma vez na
vida" de qualquer ser humano. Que momento. Esse dia é meu e dos meus pais que
fizeram de tudo para que ele acontecesse. Nasci e recebi uma educação tão
perfeita, que não consigo fugir dela, por mais que às vezes eu tente.
Não consegui realizar sonhos ainda. Mas, na profissão que escolhi, posso estar bem próximo daqueles antigos anseios. Já entrevistei dois radialistas (Mr. Pi e Lauro Quadros), um pastor (Fernando, da Igreja Quadrangular) e ainda serei um pouco fotógrafo e outro tanto, radialista. Já entrevistei um repórter esportivo presente em várias Copas do Mundo (Zé Alberto Andrade). Finalmente, como diz o maior professor que eu tive, Sr. Marques Leonan: “jornalista é aquele que pode chegar até no Presidente da República e exigir explicações”. Minha profissão, minha paixão. Um dia chego lá. Estou no caminho certo e não vou desistir em troca de prazeres quiméricos (eu tentando me convencer de algo).
Por mais paixão que eu possa ter por uma carreira, jamais
vou querer que meu lado profissional supere meu lado pessoal. O Lucas Vidal
Domingues sempre vai se sobressair àquele funcionário que tiver sua foto
estampada no crachá e seu nome gravado no e-mail da empresa.
Sim, aniversário me faz pensar muito, com extrema seriedade e dedicação. E tudo isso faz todo o sentido para mim.
Um pedido de casamento
Quero morrer de ciúmes quando você entrar no palco com o Chico.
Quero babar vendo você cantando pela televisão.
Quero puxar você pela mão.
Quero te roubar dos braços suados de um fã enlouquecido.
Quero ser invejado por estar ao lado da musa da bossa nova.
Quero entrar nestes seus olhos misteriosos.
Tua voz me alucina.
Também não nasci no tempo da maldade.
Com você, não sinto medo algum.
Brilhou uma estrela no céu.
E ela está torcendo para que você diga sim.
Quero te chamar de Narinha.
E só vou atender, quando você disser “amorzinho”.
Quando o Caetano vier nos visitar,
não vou permitir que ele entre antes de você estar vestida.
Pretendo arrancar seus beijos o tempo todo
E sei que não será uma tortura.
Casa comigo, rainha da Tropicália?
Depois de ser a gata de apartamento no Saltimbancos,
topa ser a gatinha daqui da minha casa?segunda-feira, 24 de junho de 2013
Até que ponto vale a pena?
É
muito bonito um indivíduo abrir mão do conforto pessoal em nome de uma grande
causa, de uma ideologia. Essa atitude é vista com grande apreço por vários
setores da sociedade. Podemos citar aqueles que dedicam a vida à ONGs, a
projetos de inclusão social ou ao cuidado com os animais abandonados, por
exemplo. Recebem elogios emocionados e são admirados por todos. Desde pequenos,
somos ensinados a doar roupas e brinquedos, a ser solidários. Em várias
entrevistas de emprego, somos perguntados se já fizemos trabalho voluntário. Se
a resposta for positiva, nossas chances de contratação aumentam
consideravelmente.
No
filme Faces da Verade (Nothing but the truth, EUA, 108 min), a personagem
Rachel Armstrong, vivida por Kate Beckinsale, foi tentada, de diversas formas,
a fazer algo que ia contra sua ética profissional; revelar o nome de uma fonte
para a qual ela tinha prometido sigilo absoluto. Como não cedeu, acabou presa
e, por isso, arruinou sua vida, sendo traída pelo marido, que se sentia
solitário, e correndo risco de perder a guarda de seu filho, além de levar uma
surra na cadeia.
Trata-se
de mais um caso como os citados no primeiro parágrafo. De acordo com o meio
acadêmico, com as conversas idealistas e com o imaginário coletivo, as
profissões têm princípios a serem seguidos, que nunca devem ser preteridos.
Baseada nisso, a jornalista da película deixou de lado toda sua vida pessoal,
preferiu ser vista com bons olhos por esse mundo hipócrita ao invés de se
preocupar com a família dela. Tanto que concorreu a um prêmio e recebeu a
notícia na casa de detenção.
Ora,
como não seria postulante a mérito alguém que seguiu as regras de forma tão
obediente? Foi uma heroína, posou de mártir e exemplo a ser seguido, mas acabou
sofrendo e sendo infeliz naquilo que mais importa, a vida pessoal. Para quem
olha de fora, é sensacional, mas para quem vive, não. Esses ensinamentos que ouvimos
na infância, de praticar boas ações para os outros e o incentivo que recebemos
para sermos voluntários são o maior exemplo dessa falta de felicidade, que hoje
em dia impera. A dedicação às aparências, tudo por um curtir nas redes sociais,
um aplauso na rua. O homem pós-moderno é um exemplo de sucesso diante da
sociedade, mas um fracasso na hora de olhar nos olhos dos seus filhos.
Jamais ele deve tentar agradar a maioria, seguir os
acordos tácitos da sociedade se, para isso, for preciso negar seu
individualismo e aqueles a quem ama.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Audrey Hepburn, Jim Morrison, eu e você
Estávamos nós quatro ali, conversando sobre a vida.
O parque estava escuro.
Os bancos molhados pela chuva. O vinho se misturou ao nosso sangue.
Agora, estamos prontos para a viagem. Então? VOCÊ pode vir ou vai continuar
resistindo ao seu destino?
Ela está chegando perto de nós. O vestidinho preto feito sob
medida e a piteira segurada de forma doce não deixa dúvidas. Está radiante e
sexy como sempre. Meiga, ela toma conta de meus pensamentos e me cativa. O
Morrison também está chegando, embriagado como sempre. Na verdade, tenho muito orgulho dele.
VOCÊ quer me abraçar agora? Vem, chega perto e entrega tuas
angústias. Estamos quase lá. Os anos nos separaram deles, mas o destino juntou
nossas quatro almas. Eu sou amigo do Jim Morrison e da Hepburn. A nossa
proximidade se dá pela extrema carência dela e pela necessidade que ele tem de
curtir cada noite como se fosse a última.
O Morrison nos
protege dos perigos desse mundo. Vamos irromper para o outro lado a convite
dele. E o olhar poderoso da Bonequinha de Luxo me encoraja a seguir em frente. Vamos continuar com eles ou nos aproximar
daqueles que querem acabar com nossa vida, comprando nosso tempo e nossa
vontade de fazer festa e de ser livres? Vida, curtição, emoções, amizades e
amores eternamente intensos de uma noite só.
Sigo olhando para ela e penso como foi bom viver os anos 60.
A magia toma conta de mim. Hepburn foge de repente, gritando. Provavelmente
esteja magoada, mas sempre me entendo com ela no final. Ela senta no meu colo.
Conversamos e fica tudo bem. Como foi teu encontro com ele? Conseguiu apagar o
fogo dele? Ah, deve ser bem difícil. Mas eu sei que VOCÊ pode. Ele me
confidenciou recentemente, em sonhos, que VOCÊ faz o tipo dele.
Estamos ligados desde o mais distante passado. Enquanto Eva
convencia Adão a comer a maçã e amaldiçoar a raça humana, nós quatro fugíamos
do óbvio e bebíamos no paraíso.
Ela cantava Moon River. Ele dizia: “Me ame em dobro, baby”.
Geralmente ela ia com ele e VOCÊ, comigo. Nos escondíamos e tentávamos não ser
mandados para esse mundo cão. Nossa condição era virmos juntos, nascermos no
mesmo ano, mas o grande Deus não nos permitiu. Que pena. Teria sido divertido.
Agora estou esperando, ansiosamente, o
fim desse corpo que me aprisiona. Somente assim, poderei me libertar desses
desejos malditos que acabam com meu necessário raciocínio. Mas a Miss Hepburn
chega quietinha, sussurra nos meus ouvidos e acabo sempre indo curtir mais uma
festa na enlouquecedora rua dos amores impossíveis.
VOCÊ entrou no seu
corpo na mesma cidade que eu, foi obrigada gostar dos mesmos lugares. E por que
renega as origens? Vamos voltar. Lembra dos nossos whiskeys? Vamos bebê-los de
novo. O Morrison está querendo dormir na mesma hora em que ela chega em casa.
Vão se amar loucamente. O gatinho sem nome grita e eu acabo indo socorrê-lo. VOCÊ
vem ver o que está acontecendo e também deita na cama. Não para adormecer. Eu
não participo, somente filmo tudo, bem de longe, pois meu corpo é incompatível
com a felicidade. VOCÊ sempre adorou um rockstar. Estava nos planos eu ser um,
mas acabei fracassando, por motivos que VOCÊ conhece bem.
This is the
end, our only friend, the end. We got to leave the show. But before,
let’s have a Breakfast at Tiffany’s. Como é bom ter amigos famosos. Isso fez
com que adquiríssemos bem cedo a capacidade de pensar por contra própria e de refletir
sobre a verdadeira razão da vida. Durante a Era do Jazz, nós queríamos descer
para o mundo, mas não foi permitido. Deus disse que não teríamos sido
compreendidos. Ah, como queríamos ter nascido em Paris. Era nosso plano desde a
reconstrução da cidade no fim do século XIX.
Vem aqui, coloca tua cabeça no meu peito e deixa eu sentir o
cheiro do teu lindo cabelo moreno. O vinho acabou. O Jim Morrison foi dar uma
volta em Paris e a Miss Hepburn foi tirar umas breves férias no Cantão de Vaud.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Dentro da noite
A noite está começando.
Os casais saem de mãos dadas.
As luzes brilham na esquina da João Alfredo.
Os jovens vão à Rua da República cheios de
vida e de esperança.
Na imaginação deles, emoção e prazeres.
Conhecer pessoas novas, ficar com várias.
É a melhor fase da vida. É preciso curtir ao
extremo.
Ficar em casa sábado? Jamais.
Na fila, olhares atentos em busca de rostos
bonitos.
Copo em uma na mão, celular na outra.
As garrafas vazias começam a tomar conta da mesa.
Quando levamos a garota dos sonhos para a noite, ela cai
após algumas doses e acabamos ficando como o amiguinho gentil que a carregou e
levou aguinha.
Cadê ela, “além de aqui, dentro de mim?” (desculpa,
Renato Russo)
Moreno, alto e magro, com camiseta branca e calça skinny,
com sotaque carioca. Nunca mais o viu.
Se ela tivesse falado com ele, teria sido o homem da vida
dela. Mas todos com quem falou a decepcionaram.
Apegamos-nos às pessoas e, quando menos esperamos, elas
desaparecem das nossas vidas antes que o gosto do vinho que bebemos com elas
tenha sumido da nossa boca.
"O rock morreu? Não aqui." As minhas esperanças
morreram, mas meu corpo ainda não entendeu. Sigo procurando a garota ao meu
lado na cama.
Também continuo imaginando que ela está sentada comigo no cinema nas tardes de chuva.
Também continuo imaginando que ela está sentada comigo no cinema nas tardes de chuva.
Aquela blusa transparente desperta a minha
imaginação e me lembra do tempo em que eu ainda era um homem.
A noite está acabando.
A última banda vai subir no palco do
Opinião.
Não sou mais o mesmo.
Meu grande melhor amigo e eu bebemos água sem
gás em vez de vodka.
Já não somos tão jovens assim.
Uma fase está acabando.
Ela engravidou e teve que conseguir emprego.
Agora terá que abandonar as festas do
Chalaça.
O pai do filho dela
segue bebendo e curtindo outras meninas.
Era exatamente esse
final que ela sonhara quando eles se conheceram na Cidade Baixa, há um ano.
A esquina segue a mesma, o D.J ainda faz os
boêmios dançarem na Independência, mas a esperança já se foi, juntamente com o calor das noites de verão.
Decote provocante, botas e calça justa.
Morena.
Tênis, bermuda , camiseta do Jack Daniels e
cabelos longos. Rapaz carioca, poeta e cantor.
Abraçados e trocando carícias na saída da noite.
Amor?
Não. Porque ele não existe.
Sim. Porque quase todos querem que seja.
As PESSOAS (parte II)
Se você preferir, pode ler antes a primeira parte.
As PESSOAS postam no facebook fotos de sua infância no dia das crianças.
As PESSOAS conquistam umas às outras para depois desprezarem seus conquistados para, dessa forma, alimentarem seus egos.
As PESSOAS não mostram sua verdadeira personalidade com medo do julgamento das outras PESSOAS, que, por sua vez, também se escondem.
As PESSOAS fazem o sinal da cruz quando passam por igrejas sem saber o motivo.
As PESSOAS votam “na pessoa, não no partido”.
As PESSOAS presenteiam no dia das mães, mas a xingam por qualquer besteira.
As PESSOAS assistem filmes brasileiros somente após o reconhecimento do exterior.
As PESSOAS criticam o Brasil, mas nada fazem para mudar.
As PESSOAS jogam lixo no chão.
As PESSOAS criticam as novelas, mas assistem sempre.
As PESSOAS crescem, casam-se ou “juntam-se”, têm filhos e conseguem um emprego considerado bom por todas As PESSOAS, sem nem mesmo pensar por que estão fazendo isso.
As PESSOAS estudam direito para dizerem “eu sou advogado”, o tempo todo, sem serem perguntados sobre isso.
As PESSOAS ficam duas décadas sem ver um amigo, mas vão chorar no velório dele.
As PESSOAS mudam de personalidade por terem alcançado uma melhor posição social.
As PESSOAS passam a gostar de um esporte só por que ele tornou-se popular.
As PESSOAS dirigem após beber.
As PESSOAS acreditam em tudo que veem na televisão.
As PESSOAS gostam de cinema só na época do Oscar; de futebol, em tempos de Copa do Mundo e de arte, durante a Bienal.
As PESSOAS reclamam do desemprego e depois de serem contratadas não querem trabalhar.
As PESSOAS veem um caso de corrupção na televisão e começam a se revoltar e se indignar contra o político, inclusive defendendo a prisão dele, antes mesmo de tentar entender o assunto.
As PESSOAS não gostam de eleições.
As PESSOAS preferem votar em qualquer um a pensar um pouquinho antes de escolher o candidato.
As PESSOAS são preconceituosas com jogadores de futebol, com loiras, com roqueiros, com ricas, com pobres, com bonitas, com feios, com usuários de drogas, com homossexuais, mas se dizem contra o preconceito, só por esse discurso estar na moda.
O problema não é tomar essa ou aquela atitude, mas agir sem pensar, baseando-se somente nas opiniões de outras PESSOAS. As PESSOAS representam o pensamento geral, o lugar comum, a sociedade de massa, aquela que pega a onda sem saber para onde está sendo levada, mas não aceita, jamais, deixar de participar e de concordar com a maioria. Talvez eu seja, sim, uma delas.
As PESSOAS postam no facebook fotos de sua infância no dia das crianças.
As PESSOAS conquistam umas às outras para depois desprezarem seus conquistados para, dessa forma, alimentarem seus egos.
As PESSOAS não mostram sua verdadeira personalidade com medo do julgamento das outras PESSOAS, que, por sua vez, também se escondem.
As PESSOAS fazem o sinal da cruz quando passam por igrejas sem saber o motivo.
As PESSOAS votam “na pessoa, não no partido”.
As PESSOAS presenteiam no dia das mães, mas a xingam por qualquer besteira.
As PESSOAS assistem filmes brasileiros somente após o reconhecimento do exterior.
As PESSOAS criticam o Brasil, mas nada fazem para mudar.
As PESSOAS jogam lixo no chão.
As PESSOAS criticam as novelas, mas assistem sempre.
As PESSOAS crescem, casam-se ou “juntam-se”, têm filhos e conseguem um emprego considerado bom por todas As PESSOAS, sem nem mesmo pensar por que estão fazendo isso.
As PESSOAS estudam direito para dizerem “eu sou advogado”, o tempo todo, sem serem perguntados sobre isso.
As PESSOAS ficam duas décadas sem ver um amigo, mas vão chorar no velório dele.
As PESSOAS mudam de personalidade por terem alcançado uma melhor posição social.
As PESSOAS passam a gostar de um esporte só por que ele tornou-se popular.
As PESSOAS dirigem após beber.
As PESSOAS acreditam em tudo que veem na televisão.
As PESSOAS gostam de cinema só na época do Oscar; de futebol, em tempos de Copa do Mundo e de arte, durante a Bienal.
As PESSOAS reclamam do desemprego e depois de serem contratadas não querem trabalhar.
As PESSOAS veem um caso de corrupção na televisão e começam a se revoltar e se indignar contra o político, inclusive defendendo a prisão dele, antes mesmo de tentar entender o assunto.
As PESSOAS não gostam de eleições.
As PESSOAS preferem votar em qualquer um a pensar um pouquinho antes de escolher o candidato.
As PESSOAS são preconceituosas com jogadores de futebol, com loiras, com roqueiros, com ricas, com pobres, com bonitas, com feios, com usuários de drogas, com homossexuais, mas se dizem contra o preconceito, só por esse discurso estar na moda.
O problema não é tomar essa ou aquela atitude, mas agir sem pensar, baseando-se somente nas opiniões de outras PESSOAS. As PESSOAS representam o pensamento geral, o lugar comum, a sociedade de massa, aquela que pega a onda sem saber para onde está sendo levada, mas não aceita, jamais, deixar de participar e de concordar com a maioria. Talvez eu seja, sim, uma delas.
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